
As Cores Únicas de Beatriz
Beatriz, uma menina de nove anos com olhos curiosos e um sorriso sempre pronto, adorava desenhar. Seu cantinho favorito na casa era a mesinha perto da janela, sempre cheia de lápis de cor de todos os tons, papéis de texturas diferentes e um cheiro suave de grafite. Ela desenhava mundos inteiros: florestas com árvores de folhas roxas e pássaros que pareciam feitos de arco-íris, flutuando em céus amarelos. Ela se sentia muito feliz e orgulhosa de sua arte, que era tão sua.
Um dia, na aula de arte da escola, a professora Marta trouxe alguns desenhos de outras crianças de uma escola vizinha para inspirá-los. Havia um desenho de uma floresta que parecia incrivelmente real, com cada folha e cada galho detalhado, e sombras tão perfeitas que parecia que a floresta ia saltar do papel. Beatriz olhou para o seu próprio desenho de uma floresta, com suas árvores roxas vibrantes e pássaros coloridos, e sentiu um aperto no coração. O dela não parecia “real” ou “tão bom” como o outro.
Sua curiosidade, no entanto, era maior que a tristeza. Beatriz se aproximou do desenho “perfeito” da outra criança, observando cada traço, cada cor, cada sombreado. “Como ele fez as árvores parecerem tão verdadeiras? As minhas são tão... inventadas!”, ela pensou, com um nó na garganta. Ela passava os dedos suavemente sobre o papel, como se pudesse sentir a textura da floresta. Ela se perguntava o porquê de serem tão diferentes. Será que a sua arte não era boa o suficiente?
A professora Marta, percebendo a atenção de Beatriz ao desenho, aproximou-se com um sorriso gentil. “Beatriz, que bom que você está observando com tanto cuidado! Cada artista tem sua própria magia, não é?”, disse ela. A professora explicou que existem muitos estilos de arte no mundo. Alguns artistas gostam de desenhar exatamente o que veem, outros gostam de criar mundos novos e imaginários, cheios de cor e fantasia. “Esse desenho é lindo com seu realismo, mas o seu, com suas árvores roxas, é cheio de imaginação e alegria. Seu estilo é único, Beatriz, e isso é maravilhoso!”, afirmou a professora, com carinho.
Beatriz olhou para os dois desenhos novamente, um ao lado do outro. Sim, o desenho realista era incrível em sua precisão, mas o dela… o dela era cheio de vida! As árvores roxas pareciam dançar no papel, os pássaros arco-íris convidavam para uma aventura. Sua arte não era “ruim”; era apenas diferente, e especial à sua própria maneira. Um grande sorriso iluminou seu rosto. Ela voltou para sua mesa com uma nova luz nos olhos, pegou seus lápis coloridos e começou a desenhar um novo pássaro arco-íris, mais feliz do que nunca, sabendo que a beleza estava em cada traço único que ela fazia.